quarta-feira, 20 de julho de 2016

A carta (para ela) #3

(...)   Eu me encantei com a profissão, com a farda e com as possibilidades que se abriram para mim. Eu era agora um médico, um oficial do Exército Brasileiro, usava farda e me prestavam continência e você estava muito atarefada com os trabalhos e provas do último ano. Eu queria curtir a vida e você estava muito sem tempo e eu não soube priorizar o que deveria ter priorizado, o nosso amor.

   Rapidamente os nossos encontros foram ficando espaçados, você ainda estava em São Paulo e eu estava em Rondônia, às cartas foram ficando mais curtas e começaram a chegar com menos frequência e desta forma esqueci-me das nossas datas especiais, do seu aniversário e na sua formatura não pude vir.
   O nosso contato escasseou e se findou tal como um avião que após um logo voo pousa e deixa de fazer barulho e de lutar contra a força do vento. O nosso amor partiu da mesma forma como havia chegado, num passe de mágica. Eu não senti de inicio a sua falta. Mas depois de um tempo tudo passou a deixar de ter graça e a vida foi ficando repetitiva... (continua)