sexta-feira, 29 de julho de 2016

A carta (em resposta para ele) #1


PORTO VELHO, 21 DE JUNHO DE 1966

Ed, quanto tempo!

   Eu comecei a ler a sua carta faltando menos de dois minutos para começar um novo dia.  Como você bem sabe, eu sou movida à emoções, essas que me fizeram demorar alguns dias para criar a coragem necessária e finalmente pousar os olhos nessas páginas (não que eu esperasse algo, depois de tanto tempo).
   Mentira, eu esperava sim, na verdade o que eu mais fiz desde que eu te conheci, foi esperar. Esperar o momento certo para me declarar, para te beijar, para eu assimilar tudo que aconteceu... Foi um longo tempo de esperas.
   Vejo que tens uma boa memória, pois foi tão preciso nos detalhes que eu me senti presa aos acontecimentos, consegui sentir cada beijo, cada abraço e até ouço as nossas ao fundo... Foram momentos felizes, até você se formar... (continua)