sexta-feira, 12 de julho de 2013

Eu tentei.

Acordei.
Sem olhar no relógio e nenhuma empolgação. Não saberia como reagir, então me olhei no espelho, e a indiferença me dominou... Se eu não tivesse acordado, seria melhor.
Escovei os dentes, penteei o cabelo e novamente, o espelho estava lá, como se estivesse me encarando ou fazendo com que eu analisasse quem estava ali no reflexo... Olhos pequenos e vermelhos, dor de cabeça dilacerante e respiração ofegante.
Sai do banheiro e me troquei, afinal ficar de pijama apesar de ser confortável, não me daria nenhum motivo pra sair do quarto.
Primeiro passo.
Estava completamente perdida e sem saber como abrir a porta e me deparar com a realidade que me esperava e com a solidão que a partir dali me acompanharia. Andei, olhei para os lados, respirei fundo e fiquei inerte.
O que fazer?
Pra quem fazer?
Momentaneamente esqueci o que estava acontecendo e fui pra cozinha. Pelo menos a barriga tinha que estar cheia, e preparei um miojo. Nunca 3 minutos demoraram tanto pra passar talvez pela fome, por estar ansiosa ou nervosa e sem rumo?
Fim da refeição.
Não me saciei, mais era o que tinha... O tempo de preparo era de acordo com minha paciência pra fazer algo, já que eu só queria uma coisa: lembrar o que eu tinha que esquecer.
Coloquei o prato na pia e o lavei... Analisando a água corrente saindo da torneira, mentalizei todos meu problemas indo embora junto da água pelo ralo.
Parei.
E fiquei a pensar no que faria... Porque apesar do tédio já passava das 14horas e eu mal sabia onde estava, apenas sabia o que não estava lá. De nada adiantaria procurar porque eu sabia que não iria encontrar.
Chorei.
Sem novidades até aqui, a alteração foi na quantidade de lágrimas cada vez maiores e soluços cada vez mais altos... Por isso que amo ficar sozinha em casa, não preciso sufocar meus sentimentos e guardar as lágrimas que teimavam tanto em sair...
Parei de chorar.
Comecei a pensar porque eu tinha que me acostumar com algo que eu não queria, não aceitava, não admitia e muito menos concordava.
Voltei pro espelho.
Me observei por uns minutos, tentando encontrar o defeito no qual ele não se adaptou e não encontrei, talvez porque ao falar tudo aquilo ele nem pensou. Serviu apenas pra abrir uma ferida, e me deixar sem saída.
O telefone toca.
Saio como louca atropelando todas a vigas que me atrapalhavam, até um copo quebrei. Quando atendi toda feliz, procuravam uma tal de Suzana. Fiquei com tanta raiva, que pensei em lhe oferecer banana.
Engano.
Palavra que ficou a ecoar no meu pensamento a ponto de me enlouquecer, e ao me encarar no espelho novamente, muitas coisas consegui entender, e me perguntava onde me enganei, onde errei, onde tinha algo incomum e não enxerguei?
Respostas.
Surgiram na mesma rapidez que o tempo de preparo do miojo, e então entendi onde estava o engano...
Quando não se declarou, quando não disse que me amou, quando saudade não sentiu, quando com palavras me feriu...
Sorri.
Finalmente o sorriso veio e com ele um bocejar aconchegante. Olhei para o relógio e me assustei, já eram 22 horas e tudo tinha mudado na minha cabeça e no meu coração.
Um banho eu tomei, e tudo de negativo sumiu... Coloquei meu pijama, escovei os dentes, e resolvi ir dormir na certeza de que no dia seguinte, pensamentos bons iriam surgir.
Acordei.
Encarei-me no espelho e não me assustei... Sabe por quê?
Amei, errei, acertei, ignorei, chorei e principalmente, EU TENTEI.