quarta-feira, 22 de maio de 2013

A carta




Você tinha razão, devia ter lhe escutado...
Agi como a dona da verdade, e assim em pouco tempo não havia ninguém ao meu lado, como dói não ser amado.
A tristeza bateu, disfarcei muito bem, ninguém percebeu...
Suas palavras soavam em meu ouvido, baixinho, baixinho, cheguei até lhe procurar, mais onde estava?
Na melhor das hipóteses, era isso que eu imaginava, fingia ouvir, para que do meu controle, você não pudesse sair.
O amei de verdade, na mais verdadeira intensidade, e me arrependi, pois ele nunca me olhou, me notou, e muito menos me tocou...
O orgulho se feriu, a ferida se abriu, o amor partiu, e ele sumiu.
Ao amanhecer, do meu lado ele não estava, e na cômoda, apenas uma carta se acomodava e comecei a ler. Se palavras cortassem, naquele momento eu estaria mutilada, pois o que eu lia não podia acreditar, o covarde fugiu para colocar outra em meu lugar.
Com a vida segui, chorei, sofri, até a sorte se manifestar a meu favor... Um rapaz de mim se aproximou, sorrindo e elegante, o suficiente pra me deixar ofegante...
Um ano se passou, com ele namorei, noivei e por fim me casei.
            E sua voz sussurrava feliz em meu ouvido:
            - Filha, esse é o rapaz que sonhei para seu futuro marido, sinto meu dever cumprido.’’
            E você partiu, mais não de uma forma natural e sim brutal...
            Mal dormi aquela noite, de tudo comecei a me lembrar.
Brigas, gritos, desespero, medo, e por fim o silêncio eterno. E doía saber que jamais voltaria a sentir o amor materno.
E mãezinha, se eu tivesse te escutado, quando ele chegou drogado e começou a me bater, você foi me defender, a senhora não teria morrido.
Diariamente lhe peço perdão, pois minha ingratidão custou a vida de quem eu mais amava, lhe troquei por alguém que me enganava...
Veria hoje a minha alegria, que seria a sua também, e seríamos uma família completa.
Sei que estás feliz, e olhando pra mim, como não me alegrar?
Tenho certeza mãezinha, que minha alegria é lembrar, que um dia, voltaremos a nos reencontrar.
Com amor,

                        Seu docinho.